A criança que eu fui gostaria de estar perto da pessoa que sou hoje?



Olho no espelho mais uma vez, tudo que vejo são fragmentos de uma pessoa, uma pessoa que se sente incompleta, uma pessoa que só quer deitar no canto mais escondido do quarto e chorar.
Talvez ninguém entenda como cheguei até aqui, na verdade nem eu consigo entender, e é justamente por isso que todos os dias que eu acordo e tenho que me deparar com as pessoas eu dou o meu sorriso mais falso e digo que está tudo bem, mas na verdade não está, e não sei por quanto tempo conseguirei fingir isso,  porque a cada segundo me sinto uma bomba relógio prestes a explodir, e na verdade não estou afim de atingir ninguém, mas isso é meio que inevitável.
Só queria que tudo isso acabasse. Queria que essas vozes na minha mente silenciasse, elas dizem que eu preciso ser uma pessoa de sucesso, que eu preciso ir longe, elas dizem que eu preciso arranjar um namorado, que eu preciso casar, que eu preciso sair da casa dos meus pais, elas dizem que eu preciso ser muito melhor no trabalho e dar tudo de mim. Elas dizem que eu posso amar, mas não a ponto de me machucar, e me pergunto, como isso é possível? Elas me dizem que eu não posso chorar, e nem contar para as pessoas que tudo que eu mais quero é só dar um basta nisso tudo. Essas vozes não silenciam, e tiram a minha paz.
Sento no chão, pego meu álbum, e olho as minhas fotos de criança, eu era tão feliz, eu estou sorrindo em todas elas, algumas me lembram de momentos tão bons com meus primos, como foi que eu cheguei a esse meu estado atual?
Por que eu tinha que crescer? Eu podia ser criança para sempre e amaria isso, porque um joelho ralado doí bem menos que um coração partido, e isso não é um mero clichê é a mais pura realidade. Um dever de casa não feito causa menos estragos do que esquecer de fazer algo no meu trabalho. A implicância dos meus coleguinhas era bem mais suportável, do que lidar com as falsas amizades. 
Choro, porque é do que preciso, chorar, e chorar. Sinto saudades desses tempos, porque eu não tinha os sentimentos que tenho hoje, não tinha as preocupações que tenho hoje. Na verdade eu nem me importava com a opinião dos outros, e hoje, cada passo que dou parece que estão me julgando e tentando me controlar.
Olho mais uma vez para a foto em minhas mãos, a garota do cabelo arrepiado, os pés descalços, escalando uma árvore e feliz, tenho inveja dela, de repente sinto que ela está me encarando, é a minha versão mais nova, e num sussurro ela diz:
 - Crescer é chato né?
Eu balanço a cabeça afirmando.
 - Não quero crescer, quero ser uma eterna criança, adultos vivem tristes e aborrecidos, não entendo como a vida deles pode ser tão amargurada assim.
 - Um dia você vai crescer e vai entender o que fez eles ficarem assim.
 - Mas não quero crescer.
Dei um sorriso falso, queria poder dizer que ela ficaria para sempre assim, mas é que a vida não tem o percurso que queremos. Então o máximo que a gente pode fazer é viver, e crescer, e deixar se passar pelos vários estágios da vida, procurando uma forma de viver bem, e feliz. Pelo menos é o que a gente tenta né?



Dica de Música:



Esse texto faz parte do desafio do mês de Outubro, e faz parte do Projeto: Escrevendo Sem Medo, confira os outros desafios através do link

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